6 de Janeiro – Proibido esquecer!…

6 DE FEVEREIRO…

…decretado pelas Nações Unidas como dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina por traduzir numa agressão brutal contra a dignidade das mulheres.

Estima-se que 140 milhões de mulheres em todo o mundo sejam mutiladas e que três milhões de meninas estejam em risco anualmente.

O documentário anterior de Inês e Daniela Leitão transmitido na RTP África, “Foi um caminho de conhecimento, de partilha. Vivi muito tempo perto destas pessoas“, conta Inês Leitão sobre os testemunhos recolhidos
 “O documentário tem ele próprio uma grande esperança. Se tiver prevenido uma mulher ou uma criança de ter sido mutilada, valeu a pena todo o sacrifício“, conta Inês Leitão, guionista do documentário Este é o meu Corpo, à SÁBADO. O filme, de Inês e Daniela Leitão, conta com três testemunhos entre os 200 milhões de mulheres e crianças que são vítimas de Mutilação Genital Feminina (MGF) no mundo. Por elas, hoje cumpre-se o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Como foi abordar estas vítimas de MGF, que vivem em Portugal? “Tivemos de fazer um caminho. Não foi logo ao primeiro encontro. Receberam-me em casa delas e fui a muitos almoços! Nem todas as mulheres que abordei aceitaram depois falar connosco. Foi um caminho de conhecimento, de partilha, vivi muito tempo perto destas pessoas. Para mim, foi uma riqueza enorme e hoje sou amiga delas. Também são minhas amigas. De outra forma não seria possível.” Hoje, as três mulheres “sentem que podem proteger as filhas“.
O filme recupera imagens do arquivo da RTP, captadas na Guiné-Bissau, e contém testemunhos de três mulheres que vivem em Portugal. “Tivemos um grande apoio da comunidade da Guiné-Bissau, e chegámos às mulheres através de uma associação que é a Filhos e Amigos de Farim”, conta Inês. “Apesar de terem a mutilação genital feminina no seu seio são a comunidade que está mais desperta para a necessidade de falar deste tema. Querem fazer alguma coisa. Agora falta dar poder a estas mulheres, para se tornarem elas próprias a sua voz. É um caminho que vamos fazendo todos juntos“, reflecte a guionista acerca deste seu quinto trabalho documental.

A ideia do documentário surgiu quando Inês soube que a MGF era uma realidade na Europa. “A primeira vez que tive consciência disso foi com um livro da Sofia Branco [Cicatrizes de Mulher]. As coisas foram surgindo, fui falando com a minha irmã e tivemos esta ideia de fazer o trabalho.” Apesar de ser uma prática comum na Guiné-Bissau, Inês Leitão considera que possa ter lugar também em Portugal, apesar de a prática ter diminuído muito com a criminalização. Contudo, a “moda” é tentar levar meninas para África. “Ouvi falar numa mulher que tentou levar crianças para a Guiné no Cacém, e houve qualquer coisa na Damaia…“, recorda.

Para Inês, Portugal deve continuar o combate à MGF em várias vertentes, e “apostar na formação e dar mais poder a estas mulheres“. “Elas deixam uma mensagem de esperança, de quem estabeleceu o compromisso para erradicar este flagelo. Agora se isso acontecerá a curto prazo, tenho sérias dúvidas“, lamenta.

Leave a Reply